Tive a oportunidade de trabalhar com um grupo de “meninos de rua”, como chamávamos na época, com a Musicoterapia. Foi um trabalho muito desafiante, pois tivemos que primeiro estabelecer uma consciência de grupo e não mais de bando que eles tinham. Ao mesmo tempo em que nos deparávamos com dificuldades de socialização que eles apresentavam, também nos deparávamos com uma musicalidade incrível deles. O Rap era definitivame

do assim um possível vínculo e com ele uma nova possibilidade de abandono. Entendendo desse contexto, passamos a mostrar para eles que podiam produzir algo de bom, que podiam dar voz a dor, a desesperança, ao abandono, a revolta, e ao mesmo tempo aos seus sonhos. Se no início do trabalho da Musicoterapia observávamos cada um num canto e muitos de costas, no decorrer do trabalho passamos a observar pessoas que se aproximavam para juntos construírem uma canção, uma alternativa.nte o canal de comunicação que tínhamos com eles. Passamos então a trabalhar com paródias sobre as canções dos Racionais que eles cantavam de cor e salteado. Na letra apareciam muitas gírias, em uma tentativa de não permitir que nos aproximássemos em demasia deles. Esses meninos apresentavam um grande histórico de abandono e maus tratos. Era normal que eles tentassem estabelecer uma certa distância, evitan

 

A necessidade que temos de expressar nosso mundo interno e subjetivo ganha na musicoterapia um novo canal de comunicação. As emoções que vivenciamos nem sempre podem ser traduzidas em palavras. É partir dessa necessidade que o ser humano cria e desenvolve outras formas de linguagem, como a música.

 

Para se tornar um Musicoterapeuta o aluno passa por três eixos de estudo – a linguagem musical e a execução de instrumentos, o conhecimento do ser humano e as questões da relação terapêutica. Todas essas habilidades são adquiridas no Bacharelado em Musicoterapia da Faculdades EST, onde contamos com o espaço da Clínica-escola para a realização de estágios supervisionados para unir a teoria e a prática.