A inclusão escolar, nos dias de hoje, vai muito além da premissa constitucional de que todos os indivíduos têm direito à educação. A inclusão é um novo paradigma social e educacional em uma sociedade que se pretende cada vez mais justa e democrática. Princípios de igualdade e valorização da diversidade são norteadores desta proposta, que se fundamenta numa filosofia que aceita e reconhece a diversidade na escola, garantindo o acesso a todos à educação, concomitante com as propostas de sociedade que almejamos.

Importante marco referencial, a Declaração de Salamanca (1994), estabeleceu princípios, diretrizes e política referente às Necessidades Educacionais Especiais (NEE) para a otimização das reformas de políticas e sistemas educacionais tendo como finalidade à universalização e democratização da escola. Dentre as recomendações e compromissos assumidos por diversos países, inclusive o Brasil, esta o de acolher a todas as crianças, indistintamente, independente de suas condições físicas, intelectuais, sociais ou emocionais.

Desta maneira, o conceito de NEE, passou a incluir, além das crianças com deficiência, aquelas que estejam com dificuldades temporárias, ou permanentes na escola, forçadas a trabalhar, as que vivem nas ruas, as que vivem em condições de extrema pobreza, as vítimas de guerras, as que sofrem de abusos contínuos físicos, emocionais ou sexuais, ou as que simplesmente estão fora da escola, por qualquer motivo que seja. O que se propõem, enfim, é uma escola inclusiva onde todas as crianças devam aprender juntas, sempre que possível, independente de quaisquer dificuldades ou diferença.

Educação inclusiva implica, portanto, em mudanças significativas no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem. Em vez de se pensar no aluno como origem de um problema, exigindo-se dele um ajustamento a padrões de normalidade para aprender com os demais, coloca-se para os sistemas de ensino e para as escolas o desafio de construir coletivamente as condições para atender bem à diversidade de seus alunos.

É fato constatado que o nosso sistema regular de ensino, programado para atender àquele aluno “ideal”, sem problemas intrínsecos de aprendizagem e oriundo de um ambiente sóciofamiliar que lhe proporciona estimulação adequada, tem-se mostrado incapaz de lidar com o número cada vez maior de alunos que, devido a problemas sociais, culturais, psicológicos e/ou de aprendizagem, fracassam na escola.

Faz-se necessário ressaltar, portanto, que a inclusão escolar exige uma reorganização do sistema educacional, o que acarreta na revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo às suas necessidades.

Finalizando, vale frisar que não somente as leis e textos teóricos irão assegurar os direitos de todos à educação, pois esses, por si mesmos, não garantem a efetivação das ações e práticas no cotidiano escolar. Neste sentido, os gestores e educadores têm seus papéis como sendo fundamentais no processo de inclusão escolar, refletindo coletivamente sobre antigas concepções e paradigmas, sensibilizando seus alunos, mostrando que o caminho para uma sociedade inclusiva, passa primeiramente, pela construção de uma escola inclusiva.